quarta-feira, 8 de outubro de 2014

AVALIAÇÃO EM EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Por Thonny Hawany

Fonte: http://www.sbcoaching.com.br/blog/times-de-alto-desempenho/
como-avaliar-desempenho-colaboradores/
A avaliação está presente em tudo o que fazemos. Avaliamos as roupas que vestimos; o que vamos, ou não, comer no almoço; avaliamos as outras pessoas e como elas se comportam diante da sociedade. Tudo, ou quase tudo em nossa vida, é sempre tema para uma avaliação.

Nós nos doamos às avaliações do cotidiano sem medo, sem pudor, sem restrições; no entanto, quando o negócio é avaliação da aprendizagem, difícil é encontrar alguém que se sinta à vontade para avaliar e, muito menos, para ser avaliado. Avaliação é um tabu a ser vencido e desmistificado pela educação contemporânea.

Segundo Oliveira (2014), para avaliar é preciso conhecer. Avaliar aquilo que não conhece é, no mínimo, uma atitude arbitrária. O contexto a ser avaliado deve, obrigatoriamente, ser do conhecimento do avaliador. Na proposição de um curso a distância, o DI deve, antes de escolher e propor os instrumentos e modelos de avaliação, conhecer o contexto e a atmosfera do curso: quem são os alunos, quais são seus anseios e expectativas com relação ao curso, quais são as mídias escolhidas e, principalmente, como se dará a interatividade entre os atores do curso.

A avaliação não pode ser um instrumento aleatório que parte do nada para o nada, é preciso que o avaliador tenha traçado, inicialmente, alguns objetivos bem definidos a fim de garantir que os seus instrumentos de avaliação sejam eficientes ao coletar os dados que demonstrarão o progresso do aluno e desenrolar do próprio curso (Oliveira, 2014).

“Para avaliar, é preciso entender a diferença entre aprender e memorizar” (Oliveira, p. 6). Eu diria que é preciso entender também a diferença entre aprender, memorizar e apreender. Quem aprende, aprende da forma como o outro ensinou, quem memoriza não chega a tomar para si o que é do outro, internaliza, superficialmente, alguns conhecimentos que, certamente, serão esquecidos quando não mais precisar; mas quem apreende toma para si, de modo crítico, original e criativo, o discurso do outro como se fosse seu. Internaliza o conhecimento e dele tira proveito, cria, inova, transforma.

O estudante presencial ou a distância não pode ser considerado como uma folha de papel em branco. Quando ele chega à escola ou ao ambiente virtual de aprendizagem, traz, do meio em que vive, um conhecimento preexistente que deve ser considerado pelo professor no seu processo de avaliação.

Como o nosso objetivo aqui é falar de avaliação com ênfase para a educação a distância, centraremos o nosso discurso nas práticas sugeridas pela “Avaliação e Validação de Projetos”. A avaliação deve ser um mecanismo que transcenda os seus próprios instrumentos. Com isso, quero dizer que uma única prova escrita não pode nem deve ser considerada como uma avaliação que represente a totalidade do conhecimento de alguém. Ela pode e deve ser parte do processo e não o todo.

Como se viu, ao estudar a supramencionada disciplina, a avaliação pode ser diagnótica: aquela que sonda os conhecimentos prévios do indivíduo; somativa, pouco ampla e, que segundo Oliveira (2014, p. 9), tem como “finalidade básica aferir o domínio alcançado sobre determinado assunto ao final de um período qualquer”. A avaliação somativa nem sempre apresenta o conhecimento apreendido pelo aluno. Embora seja uma ferramenta falha e controvertida, ela ainda tem a sua importância dentro dos modelos vigentes de educação no Brasil. Sobre a avaliação formativa, a meu ver, a mais completa, se comparada às anteriores, é o modelo mais eficiente e que representa com certa fidelidade o conhecimento apreendido por alguém, tendo em vista que planejamento ensino, aprendizagem e avaliação caminham juntos num processo de idas e vindas, a fim de corrigir as lacunas deixadas no ato de planejamento e os pontos que foram falhos na execução do curso, disciplina ou conteúdo proposto pelo designer instrucional.

O uso de todos os modelos de avaliação e processos avaliativos culminam na avaliação multidimencional trabalhada, amplamente, na última aula da disciplina “Avaliação e Validação de Projetos”. A avaliação tem que apontar para todos os lados e mensurar tudo o quanto for possível. Segundo Oliveira (2014, 7),

a avaliação que olha apenas o alcance dos resultados e que não se preocupa em analisar as condições individuais, as várias trajetórias de quem aprende, os vários momentos, as múltiplas dimensões do saber e as inúmeras articulações entre os objetos de conhecimento, corre o riso de produzir resultados muito parciais e fragmentados.

 Outro aspecto que não pode deixar de ser mencionado nesta resenha é o fato de a avaliação dever estar sempre ligada a uma teoria da aprendizagem. Um designer instrucional (DI) deve, antes de elaborar os objetivos e escolher a forma de avaliação de um determinado curso, determinar qual teoria de aprendizagem norteará o ensino e a aprendizagem pretendidos por ele.

As principais teorias estudadas na disciplina em análise resumiram-se ao behaviorimo (aprendizagem por meio da repetição), o cognitivismo (aprendizagem significativa de Ausbel) e o sociointeracionismo de Vigotski (aprendizagem por intermédio da interação entre indivíduo/indivíduo e indivíduo/meio), com a qual eu me identifico sobremaneira.

Cada teoria indica formas diferentes para se construir o planejamento de um curso. A escolha de competências e habilidades, dos conteúdos, dos objetivos, da metodologia, das técnicas e recursos, bem como dos modelos e formas de avaliação devem seguir o pensamento preestabelecido na teoria escolhida pelo DI. A escolha de uma teoria-norte assegurada por instrumentos divergentes pode não produzir os efeitos desejados no planejamento.

No tocante ao planejamento e a avaliação, entendo que esses dois aspectos andam atrelados do memento em que o curso foi pensado até a sua finalização. O planejamento deve ser o mais aberto possível a fim de permitir mudanças sugeridas ao final de etapas de avaliação. Por isso é que a avaliação tem que ser um processo e não uma atividade final. Deve-se avaliar para saber o que fazer, como fazer, para quem fazer, onde fazer, quando fazer, quanto fazer e, acima de tudo para (re)fazer.

Planejar avaliando é o segredo do sucesso de uma disciplina ou de um curso. O planejamento é uma técnica de coordenação de uma atividade, no nosso caso, educacional. Toda técnica de coordenação deve ser flexível para suportar mudanças no percurso caso sejam necessárias. É preciso planejar e avaliar para (re)planejar.

O planejamento de um curso, quer seja presencial, quer seja a distância, que não pensa seriamente na avaliação como processo contínuo pode fadar-se ao insucesso desde o seu nascimento. O DI deve pensar no diagnóstico inicial de um curso (avalição diagnóstica), na maneira como a formação está sendo conduzida (avaliação formativa) e, finalmente, quais foram os resultados obtidos pelos alunos ao final do curso (avaliação somativa). Qualquer planejamento que não preveja a avaliação inicial, a intermediária e a final pode não ter sua eficácia consagrada.

Em face de todo o exposto, cabe salientar que a avaliação deve ser a mola propulsora do ensino e da aprendizagem. Ela é seguramente o principal mecanismo de todo o sistema educacional de um país. A avaliação não é instrumento, é ação transformadora.

Referências:

OLIVEIRA, Gerson Patre. Avaliação e validação de projetos. São Paulo: SENAC, 2014.­­­­­

Observação: Este texto foi apresentado, como requisito avaliativo, à disciplina Avaliação e Validação de Projetos Educacionais do curso de Especialização em Design Instrucional oferecido pelo Centro Universitário SENAC/SP.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

O ÌPÀDÉ

Babá Thonny ty Oyá


A finalidade deste texto não é escrever um tratado sobre o ìpàdé, visto que o assunto é bastante amplo, não sendo possível exauri-lo em poucas linhas. Pretendemos, no entanto, de modo despretensioso, apresentar algumas informações básicas sobre essa tão importante cerimônia dos cultos de origem africana que está caindo no esquecimento ou, quando não, sendo modificada/simplificada em muitas casas de Candomblé.

Diferente do que é praticado na maioria das casas de culto aos orixás, o ìpàdé é uma cerimônia mais complexa que o ato de cantar para Èṣù e ao final das cantigas ofertar o  “mi-ami-ami”, espécie de farofa feita de farinha de mandioca com azeite de dendê ou com outra iguaria (cachaça, água, mel entre outros) — Comumente chamado de pàdé —, espargir uma porção de água de uma quartinha de barro e acender uma vela em um dos cantos da porta de entrada.

Assim sendo, queremos, inicialmente, diferenciarmos o ìpàdè do pàdé para que não existam dúvidas, ao final, sobre o que estamos chamando de ìpàdé. A palavra pàdé ganhou duas acepções na maioria das casas de culto no Brasil: tanto é usada para designar o ato de cantar para Èṣù, quanto para se referir ao “mi-ami-ami”. Ademais, a mesma expressão (pàdé), segundo o dicionário de língua yorùbá de José Beniste, é utilizada para denotar reunião de pessoas e não farofa feita de farinha com dendê ou com qualquer outra iguaria. Salienta-se que a palavra ìpàdé aparece, no dicionário pesquisado, traduzida também como reunião assim como a palavra pàdé.

Outro importante equívoco que merece ser dirimido neste texto é o fato de o ìpàdé não ter a função de despachar Èṣù. A belíssima cerimônia do ìpàdé serve, inicialmente, para louvar e agradar Èṣù que é o mensageiro entre o homem e os demais orixás e também para louvar outras entidades conforme veremos mais adiante.  Èṣù fala a língua dos homens e a língua dos orixás. É ele quem leva as súplicas e mazelas dos homens aos orixás e quem traz as respostas do òrún (céu, firmamento) às dúvidas humanas. O ìpàdé não deve ter a conotação de presente para que Èṣù não perturbe a cerimônia e sim de presente para que ele, como mensageiro, faça a ponte entre o homem e os orixás e não deixe que nada de mal aconteça enquanto é realizada a cerimônia principal, ou seja, a festa aos orixás.

O ìpàdé é uma cerimônia, eminentemente, feminina nas casas de Candomblé, é celebrado pela ìyamoró, apoiada pelas filhas mais velhas da casa, preferencialmente, pela ajimuda,  pela dagan e pela sidagan, ao som de cantigas cantadas pela iyá tèbèsé, sob o controle e supervisão do babáloìṣá e/ou ìyálorìṣá, mas isso não significa que outras mais velhas não possam participar do ato. Os homens participam tocando os instrumentos e respondendo as cantigas apenas. Somente a iyamoró tem o poder de entrar e sair do templo durante o ato do ìpàdé haja vista ter ela recebido a cabaça que afasta as grandes mães.

Para o cerimonial do ìpàdé é depositado sobre o centro da casa um alguidar (prato de barro) contendo “mi-ami-ami” feita de farinha de mandioca com azeite de dendê, uma quartinha com água límpida, uma vela acessa e pratos com as comidas de preferência dos ancestrais.

Como se sabe, o ìpàdé é dirigido acima de tudo a Èṣù, no entanto são celebrados outros entes importantes para os cultos de matriz africana, tais como os Eguns, os Egunguns e os babás Eguns (antepassados), os essá (mortos ilustres no candomblé), às grandes mães Ìyámí (Osoronga, Opaoká e Ajé Salunga). Por fim, são celebrados os orixás dos mais antigos considerando a linhagem de cada raiz.

Depois do ìpàdé, os ritos seguem normalmente conforme o planejamento de cada casa. Salienta-se que essa cerimônia serve para retirar o ajé (as energias negativas) para que os demais ritos sejam coroados de êxito, de harmonia, de tranquilidade e de paz.

Metodologia:

I. É uma cerimônia interna da casa, por isso é recomendável que apenas os de casa participem.
II. Arriar um alguidar com o mi-ami-ami, preferencialmente, feito de farinha com azeite de dendê, uma quartilha de barro contendo água fria e límpida, comidas preferidas dos ancestrais (se for o caso), vela acesa, tudo no centro da casa.
III. Devem participar dos atos principais apenas os cargos indicados no texto acima.
IV. Canta-se na sequência para Exu, ancestrais, Yamins, Oxum (primeira mãe de santo) e orixás da linhagem.
V. Ao cantar para Exu, ancestrais e Yamins, a ìyámorró acompanhada de suas auxiliares sai com o mi-ami-ami, a quartinha de água, as comidas dos ancestrais e a vela para fazer as oferendas conforme cada casa.
V. Ao retornar, são orquestrados os cânticos para os demais orixás reverenciando os santos da linhagem, do bisavô, do avô, do pai etc.

Vocabulário:

Ajé: energia negativa.
Ajé Salunga: uma das três Ìyámí.
Ajimuda: cargo feminino responsável pelos carregos da casa, auxilia no ìpàdé.
Babá Egun: espíritos de antigos babalorixás.
Babáloìṣá: sacerdote afrodescendente.
Dagan: cargo feminino responsável por fazer os preparativos do ìpàdé.
Egun: alma ou espírito de qualquer pessoa falecida.
Egungun: espírito ancestral de pessoa importante para os cultos afros.
Essá: pessoas já falecidas que devem ser reverenciadas no oxé.
Èṣù: Orixá africano responsável pelos caminhos; senhor dos caminhos, senhor do movimento.
Ìpàdé: cerimônia de louvação e entrega de oferendas a Èsù e aos ancestrais de uma casa de candomblé.
Ìyálorìṣá: sacerdotisa afrodescendente.
Íyámí: As grandes mães feiticeiras, aquelas que detém o segredo da criação.
Ìyámoró: Principal  responsável por dirigir o cerimonial do ìpàdé.
Ìyátèbèsé: porta-voz do orixá da casa, pessoa feminina que dirige os cânticos.
Mi-ami-ami: farofa de farinha com dendê, água, mel, azeite, cachaça.
Opaoká: uma das três Ìyámí; árvore sagrada para os yorubás
Òrún: céu.
Osoronga: uma das três Ìyámí.
Osidagan: auxiliar da Ìyádagan
Otundagan: auxiliar da Ìyadagan
Pàdé: reunião de pessoas de uma determinada sociedade. No Brasil é o nome mais conhecido para a farofa de farinha de mandioca dom iguarias líquidas oferecidas a Èxú, ver mi-ami-ami.
Yorùbá: iorubá, idioma nigero-congoles que é falado no sul do Saara, na África, e no Brasil.

Referências:
BENISTE, José. Dicionário yorùbá português. São Paulo: Bertrand Brasil, 2013.

ATENÇÃO! Este texto tem como proposta apresentar, de modo muito panorâmico e modesto, a cerimônia do ìpàdé que, como o passar dos tempos, vem se perdendo e/ou sendo simplificada nos terreiros de candomblé do Brasil. Esta proposta poderá ser ampliada com os comentários e postagens feitas pelos leitores. Assim sendo, peço que não economizem contribuições. Antecipadamente agradeço a todos os que lerem e contribuírem com o estudo sobre o ìpàdé.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

CASAMENTO DE EVANDRO E DANIEL - LIMEIRA – SÃO PAULO

Por Thonny Hawany
 

No dia 26 de abril, às 20 horas e 30 minutos, numa linda Chácara no Bairro Vila São Vivente, na Cidade e Comarca de Limeira, Estado de São Paulo, nasceu mais uma família homoafetiva por força do amor e da lei. Evandro Inácio e Daniel Misael dos Santos tornaram-se um só depois dos votos de eterno amor e fidelidade.
 
Os noivos casaram-se na presença da meritíssima senhora juíza de casamentos, Kátia Cristina Scavone Kühl, que além de proferir as palavras ditadas pela lei, também deixou aos noivos e aos seus familiares e convidados uma bela mensagem de amor, de igualdade, de liberdade e de respeito à dignidade humana, como estão consignados na Constituição Federal do Brasil.
 
Daniel Misael dos Santos, pai biológico de Kaio e Kauã e Evandro Inácio, pai adotivo de Higor, depois de um ano de União Estável, resolveram dar efetividade à linda família que formam. Os três meninos, agora, têm dois pais dedicados e amorosos.
 
Daniel é filho do senhor Luis Gonzaga dos Santos e de dona Luiza dos Santos, Evandro é filho de dona Maria Inácio e do senhor Valdeci Inácio. Os pais de Evandro estiveram presentes todo o tempo e se mostraram muito emocionados.
 
O casamento de Daniel e Evandro não foi o primeiro casamento homoafetivo de Limeira, visto que já aconteceram outros casamentos entre mulheres; mas segundo informações seguras, foi este o primeiro casamento entre dois homens. Limeira, uma bela e tranquila cidade do interior de São Paulo, pode se orgulhar da nova família forjada por força do amor e da lei.
 
Os amigos do casal vindos de diversas cidades do interior e da capital de São Paulo, bem como os que vieram dos Estados de Rondônia e do Amazonas puderam testemunhar uma união verdadeira. Como sempre digo: o amor nasce de Deus, mas se espalha por todos os lugares onde Deus se faz presente.
 
Eu não tenho dúvidas: Deus estava presente naquela cerimônia estendendo suas mãos sobre Evandro, sobre Daniel, sobre os meninos Kaio, Kauã e Higor e sobre todos os que lá estivam para prestigiar mais uma grande história de amor.
 
Não posso deixar de registrar aqui a minha solidariedade a todos aqueles que querem constituir uma família da mesma forma que Evandro e Daniel e tantos outros já fizeram por todo o Brasil. O casamento igualitário é uma realidade em diversos países do mundo. As famílias homoafetivas estão por todas as partes. É preciso que os Estados/Nações de todo o mundo aprendam a reconhecer o amor entre pessoas do mesmo sexo e a valorizar os Direitos Humanos de todos e de todas sem nenhuma distinção.


quarta-feira, 30 de outubro de 2013

DESIGNER INSTRUCIONAL

Por Thonny Hawany




Segundo Pierre Lévy (1993, p. 17), “vivemos um destes ratos momentos, em que, a partir de uma nova configuração técnica, quer dizer, de uma nova relação com o cosmos, um novo estilo de humanidade é inventado”.

Com o advento das novas tecnologias, muitas profissões consagradas deverão morrer ao mesmo tempo em que outras nascerão para atender a um novo mundo conectado. A partir da invenção da internet, as relações humanas mudaram significativamente e para melhor, a meu ver. Seria preciso escrever um tratado, caso ousássemos enumerar todas as mudanças a partir da invenção dos mecanismos que possibilitaram a interação a distância, a exemplo da televisão, do rádio, dos satélites, da internet, do telefone celular, dentre outros.

O nosso objetivo aqui não é falar dos avanços desencadeados na era da cultura digital, mas definir e estabelecer algumas características da profissão de designer instrucional, também chamada de designer educacional, atividade supervalorizada, principalmente, a partir da invenção da educação a distância. Assim sendo:
O que é um designer instrucional? É o profissional responsável pela criação, desenvolvimento e execução de projetos educacionais, com especial destaque para os projetos de implantação de cursos oferecidos à distância. O DI, como é chamado o designer instrucional, tem se tornado um profissional muito requisitado, no mundo do trabalho, a partir da expansão da educação a distância.

Qual é o trabalho de um designer instrucional? Segundo o Ministério do Trabalho, o DI é o profissional que planeja, cria, executa, avalia e coordena o desenvolvimento de projetos instrucionais a fim de facilitar o processo de ensino e aprendizagem.

Qual é o campo de ação do designer instrucional? Ainda segundo o Ministério do Trabalho, o DI atua tanto nos cursos acadêmicos, quanto nos corporativos, em todos os níveis de ensino, com a finalidade de diminuir a distância entre os sujeitos da aprendizagem: professor e aluno.

A profissão de DI está no auge, no entanto há poucos profissionais para atender a grande demanda do mercado editorial e instrucional que cresce todos os dias, em todos os lugares. O DI é um profissional que deve conhecer de gestão, de educação e, acima de tudo, de novas tecnologias.

Em síntese, com o amadurecimento das instituições acadêmicas e corporativas no oferecimento de educação a distância (EAD), o DI tende a se tornar um profissional imprescindível no processo, visto que sua formação lhe dá embasamento para convergir conhecimentos educacionais, tecnológicos e de gestão. Encontre o seu curso em design instrucional e seja um DI de sucesso.

LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informação. São Paulo: 34, 2004.
LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: 34, 1999.
SENAC. Designer Instrucional: conceitos e competências. São Paulo: SENAC, 2013. 

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

VIII Cacoal Rainbow Fest: Cacoal Rondônia




A Cacoal Rainbow Fest é mais que uma festa. Trata-se de um evento criado em 2006 com a finalidade de dar visibilidade ao movimento LGBT que estava sendo criado no município de Cacoal que mais tarde veio a se denominar de Grupo Arco-Íris de Rondônia (GAYRO).
Naquela época tudo era muito mais difícil. Falar de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais ainda era um tabu no interior do Estado de Rondônia, quanto mais falar em fazer uma festa para confraternização de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais. Pensando em não afrontar a sociedade, fizemos a primeira festa há aproximadamente cinco quilômetros de Cacoal, no espaço denominado Castelinho do Cupim. Hoje, em face das conquistas, oito anos depois, estamos realizando a Rainbow no centro de Cacoal, na Castellu's.

Desde sua primeira versão, a Cacoal Rainbow Fest conta com a presença de heterossexuais amigos e simpatizantes do movimento LGBT. Com o decorrer dos anos, a presença dos amigos heterossexuais e de familiares tem aumentado gradativamente.

Neste ano, a comissão organizadora quer mostrar que homossexuais e heterossexuais podem conviver em harmonia, por isso, a Cacoal Rainbow Fest de 2013 tem como objetivo reunir o maior número possível de heterossexuais e homossexuais no mesmo lugar para confraternizarem entre si num evento inclusivo.

Em 2013, a Cacoal Rainbow Fest contará com a presença marcante do jovem DJ Flyer e também com ambientes e shows da melhor qualidade.

A VIII Cacoal Rainbow Fest acontecerá no dia 30 de novembro, na Castellu’s – centro de Cacoal/Rondônia. Segundo Thonny Hawany, presidente do Grupo Arco-Íris de Rondônia e presidente da comissão organizadora, além dos shows, estão sendo preparadas iluminação e decoração especiais para o local do evento. Venham e divirtam-se em companhia de muita gente bonita. Essa você não pode perder.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

II ENCONTRO AMAZÔNICO DA DIVERSIDADE SEXUAL É REALIZADO EM CACOAL


Por Thonny Hawany
 
No último dia 17 de maio de 2013, por ocasião do Dia Mundial de Luta contra a Homofobia, o Grupo Arco-Íris de Rondônia – GAYRO – realizou o II Encontro Amazônico da Diversidade Sexual, no Plenário da Câmara Municipal de Cacoal, com o apoio da FACIMED; do Governo do Estado de Rondônia, por intermédio da Representação de Ensino de Cacoal; do Conselho Municipal de Saúde; da Polícia Militar do Estado de Rondônia, da Secretaria Municipal de Ação Social de Cacoal e da Câmara Municipal de Cacoal.

No II Encontro Amazônico da Diversidade Sexual (ENADIS) foram discutidos três temas: Saúde e Diversidade, com a psicóloga e professora do curso de Psicologia da FACIMED, Paula Werner Severo; Segurança e Diversidade, com o Tenente Marink, do 4º Batalhão de Polícia Militar de Cacoal e Educação e Diversidade com a professora Fátima Gavioli, atual representante de ensino de Cacoal e região.

O II ENADIS foi presidido pelo professor Thonny Hawany, atual presidente do Grupo Arco-Íris de Rondônia que, em seu discurso, fez lembrar as lutas e aS vitórias já conquistadas no Município de Cacoal e região desde a fundação da ONG Arco-Íris, em 2006.

A professora Fátima Gavioli, depois de uma emocionante narrativa de história de vida, falou de sua relatoria no Conselho Estadual de Educação com o intuito de aprovar a inclusão do nome social de travestis e transexuais nos diários e documentos escolares, em todas as escolas no Estado de Rondônia.

Na sequência, a psicóloga e professora de psicologia da FACIMED, Paula Werner Severo, apresentou algumas considerações históricas da homossexualidade, falou da relação homossexualidade e psicologia e deu ênfase ao fato da homossexualidade não ser doença, daí, ser desnecessário e impossível seu tratamento como querem alguns fundamentalistas.

O tenente Marink, 4º BPM/Cacoal, falou sobre o Regimento da Polícia Militar de Rondônia mencionando as mudanças que foram feitas com relação ao tratamento e abordagem das pessoas travestis e transexuais. Para o tenente, as mudanças no comportamento das instituições dependem de mudanças consolidadas no comportamento social.

Militantes LGBT ligados ao grupo Arco-Íris de Rondônia afirmaram que o evento cumpriu seus objetivos iniciais de visibilidade e de fomentar discussões a respeito de direitos da comunidade LGBT no âmbito da sociedade.

 

A secretária de ação social do município de Cacoal, Izabela Lisboa Funari Borghi, afirmou que uma das metas de sua gestão à frente da referida secretaria é a criação do Conselho Municipal de Direitos Humanos com assento para todas as minorias representadas por instituições devidamente regulamentadas junto aos poderes públicos. Bela afirmou ainda que sua equipe tem trabalhado, diuturnamente, em favor da não discriminação das minorias, incluindo o público LGBT.